
O ciclo de queda de juros começou — a Selic recuou para 14,5% ao ano em abril e o mercado discute um novo corte em junho —, mas o efeito sobre o mercado imobiliário de São Paulo é desigual: o crédito deve crescer 16% em 2026 enquanto os lançamentos de médio e alto padrão recuam. Para quem olha o centro expandido, a leitura é de produto bem localizado, não de promessa de preço.
Juros: a Selic começou a ceder, e junho está dividido
Em abril de 2026, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 14,5% ao ano — o primeiro corte do ciclo. Para a reunião deste mês, o Boletim Focus aponta mediana de 14,25%, sugerindo novo corte de 0,25 ponto, mas a inflação ainda pesa contra: a projeção de IPCA para 2026 subiu para 5,11%, acima do teto da meta (4,5%).
Leitura: o custo do crédito ainda é alto, mas a direção mudou. Fontes: Agência Brasil (abril/2026) e DCI (reunião de junho).
Crédito imobiliário: projeção de +16% em 2026
A Abecip projeta crescimento de 16% no volume de financiamento imobiliário em 2026, após alta de 3% em 2025. As concessões via poupança (SBPE) devem avançar 15%, para cerca de R$ 180 bilhões; os recursos do FGTS, voltados à habitação social, crescem ~5%. O movimento é sustentado, sobretudo, pela expectativa de queda da Selic no segundo semestre.
Recorte: projeção setorial nacional, não garantia de aprovação individual. Fonte: Abecip via InfoMoney (2026).
Lançamentos em SP: médio e alto padrão recuam, MCMV puxa o volume
Segundo o Secovi-SP, no 1º trimestre de 2026 o segmento de médio e alto padrão teve queda de cerca de 20% nas unidades lançadas e de 21% no valor vendido na capital. No agregado, o Minha Casa Minha Vida respondeu por 62% dos lançamentos e 65% das vendas — um mercado que se concentra cada vez mais nos extremos: programa social de um lado, produto bem posicionado de outro.
Recorte: cidade de São Paulo, 1º tri/2026, dados Secovi-SP. Fonte: compilação Portas / Secovi-SP (2026).
Locação: o preço do m² e a leitura para studios
O preço médio anunciado de locação residencial em São Paulo ficou em R$ 63,28/m² em fevereiro de 2026, segundo o Índice FipeZAP. É uma média da capital, calculada sobre anúncios — não um valor de bairro ou de tipologia específica. Studios bem localizados tendem a conversar com essa demanda por morar perto de trabalho, estudo e mobilidade, mas qualquer cenário de locação deve ser tratado como hipótese, com premissas próprias.
Recorte: locação residencial, capital de SP, fev/2026, base de anúncios. Fonte: Índice FipeZAP.
A leitura VERUS
Num mercado em que os juros começam a ceder mas o médio padrão recua, o que sustenta valor não é a promessa de preço — é o contexto urbano. Studios e compactos no eixo Bela Vista–Consolação e no entorno do Mackenzie nascem dessa tese: a cidade como fundamento, o produto como consequência. Essencialmente urbano.
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